A capulana na etnia maconde

Lisboa de facto oferece-nos uma possibilidade imensa de encontrar membros de etnias africanas que nunca pensamos encontrar neste lugar. Faz uns tempos encontrei em pleno cai do Sodré uma mulher Macua, vestida com o traje típico da Ilha de Moçambique, e no passado mês de Setembro encontrei uma mulher maconde, D. Juliana , a qual me mostrou as sua arca de capulanas  e me fez compreender a importância da capulana na construção da identidade mulher , junto de sua etnia. O macondes vivem no Norte de Moçambique e foram uma das etnias mais estudadas pelo casal de  etnólogos Jorge & Margot Dias . O Museu Nacional de Etnologia em Lisboa tem na biblioteca uma serie de livros escritos por estes autores.

No site memorias de Africa tem varias imagens como esta que ilustro abaixo, captada por Jorde Dias em 1964.

Screen Shot 2012-10-18 at 1.38.16 PM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig 1 : Mulheres maconde, captadas por Jorge Dias em 1962. Mulheres vestem uma capulana com cores vermelho, preto e branco, com moldura em toda a volta e motivos centrais que se repetem de forma uniforme. A capulana da imagem da esquerda tem também uma mensagem inscrita. Provavelmente estas capulanas vêm da Tanganika e por isso se chamam em lingua maconde de hi-kanga.

Mas o que aqui queria expor é de facto o trabalho de campo feito por mim junto da mulher maconde que habita na zona do Barreiro. O que mais falamos foi de facto da importancia da capulana nos rituais de passagem: de menina para mulher. Estes rituais podem acontecer durante uma semana ou três meses, dependendo da vontade das familias. As meninas são entregues, na primeira menstruação ,às mulheres mais velhas que se assumem conselheiras e ensinan como  ser mulher, como tratar o marido, como pilar, como esconder a menstruação de olhares alheios e do seu futuro marido , como amarra e usar a capulana. No dia em que as moças saem do ritual compra-se roupa bonita e uma capulana para tapar o rosto das jovens, pois sua beleza só pode ser descoberta à saída frente da multidão. (fig 2) IMG_7804

Fig. 2: moças que sairam do ritual de iniciação com cabeça coberta com a capulana, O rosto destapa-se frente à multidão para que a beleza delas seja desvendada após o periodo do ritual, onde as mulheres lhes ensinam também a colocar a mascara de m’siro.

Uma outra prova é necessária ser mostarda em publico: a virgindade da moça. Para isso coloca-se uma gota de óleo de ricino no cimo da testa para que corra testa abaixo. “Se esta gota correr a direito significa que a moça não se desviou e assim prova a sua virgindade”. ( fig 3) IMG_7812

Fig3: prova da virgindade da moça

No final da cerimónia, dança-se e os familiares da moça vestem-se de capulana igual como símbolo de pertença e unicidade.

D. juliana reforça também que a capulana é um nome generalizado, pois cada etnia aplica um nome caratcteristico de acordo com o dialecto local, por exemplo os macondes chama  a uma  capulana “Inguvo” e a duas capulanas “Dinguvo”. Quando nos dirigimos às lojas para comprar pano, nós dizemos um inguvo”.

IMG_7781

No passado o lovolo maconde era feito pela troca de uma mulher por espingarda.

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